Coquetel Gimlet servido em taça de cocktail com fatia de limão, sobre balcão de bar com garrafa de gin ao fundo.

Drinks com Gin: O Guia Definitivo

A Elegância Botânica

O gin é como aquele amigo culto que cita Nietzsche na balada mas ainda consegue ser divertido. É a bebida que transformou piratas em lordes e que fez a Inglaterra esquecer que o clima é uma desgraça. Se a vodka é a tela em branco da coquetelaria, o gin é a obra-prima barroca — cheia de detalhes, camadas e uma leve tendência ao drama.

E sim, antes que você pergunte: gin com tônica conta como salada. São botânicos, afinal.

O Império dos Zimbros: Uma História de Conquista Líquida

Ingredientes para coquetel com gin: limões, amoras, manjericão fresco e coqueteleira sobre mesa de madeira.

A jornada do gin começou como genever holandês — uma poção medicinal que os soldados britânicos descobriram durante a Guerra dos Oitenta Anos. “Dutch Courage”, eles chamavam. Porque nada diz “vamos enfrentar a morte” como um shot de zimbro destilado.

Quando chegou à Inglaterra no século XVII, o gin virou febre. Literalmente. A “Gin Craze” transformou Londres em uma festa infinita e caótica, onde até bebês tomavam gin (tempos diferentes, ok?). Foi preciso criar leis para controlar o consumo — imagine a ressaca coletiva de uma cidade inteira.

Hoje, o gin é símbolo de sofisticação. De remédio duvidoso a estrela dos bares mais exclusivos do mundo, essa é a história de superação que Hollywood deveria filmar.

A Alquimia Botânica: O Que Diabos Tem Nessa Garrafa?

Gin é basicamente vodka que foi fazer intercâmbio. A base é álcool neutro, mas aí entram os botânicos — zimbro (obrigatório), coentro, raiz de angélica, cascas de cítricos, cardamomo, e uma porrada de outras coisas que parecem ter saído de um grimório medieval.

Tipos de Gin que Você Precisa Conhecer:

  • London Dry: O clássico. Seco como humor britânico, com zimbro proeminente. É o que está no seu Martini clássico.
  • Plymouth: Mais suave, levemente doce. O gin especial que acha London Dry muito mainstream.
  • Old Tom: O avô adocicado do gin moderno. Perfeito para coquetéis vintage.
  • Navy Strength: 57% de álcool porque a Marinha Real não brincava em serviço.
  • Contemporary/New Western: Gins modernos onde o zimbro divide espaço com pepino, rosas e até algas. O millennial dos gins.
  • 💡 Curtiu esse mergulho nos estilos de gin? Veja também o Guia do Vermute e descubra como essa bebida discreta faz diferença em coquetéis clássicos.

Os Clássicos Imortais: Drinks com Gin que Definiram Épocas

O Pelotão de Elite

Vários coquetéis clássicos dispostos em uma bancada de bar.

Martini: O imperador dos coquetéis. É gin e vermute em sua forma mais pura e perigosa. Bebida de espiões, escritores e pessoas que gostam de parecer mais interessantes do que são. Mexido, não batido, por favor.

Negroni: O italiano mal-humorado que conquistou o mundo. Gin, Campari e vermute doce em proporções iguais — é a santíssima trindade da amargura elegante.

  • 👉 Se você gosta desse amargor sofisticado, também vai curtir o Boulevardier.

Gin Tônica: A dupla dinâmica. Começou como remédio contra malária no Império Britânico e virou o drink mais pedido do planeta. Simples, eficaz e impossível de estragar (mas alguns conseguem).

Os Ressuscitadores de Alma

Aviation: Gin, maraschino, crème de violette e limão. É como beber um céu púrpura ao pôr do sol. Sumiu por décadas porque ninguém achava crème de violette, voltou triunfante com o revival da coquetelaria.

Corpse Reviver #2: O drink que promete te trazer de volta dos mortos. Gin, Cointreau, Lillet e um toque de absinto. É a cura da ressaca que pode causar outra ressaca.

Last Word: Gin, maraschino, Chartreuse verde e limão em partes iguais. Esquecido durante a Lei Seca, redescoberto nos anos 2000. É complexo, herbáceo e tem sempre a última palavra.

Os Espumantes e Refrescantes

Tom Collins: O drink que fingia ser uma pessoa para trollar americanos no século XIX. Gin, limão, açúcar e soda. É verão em forma líquida.

Ramos Gin Fizz: O drink que é um treino de braço. 12 minutos de shake vigoroso para conseguir aquela espuma perfeita. Gin, limão, clara de ovo, creme de leite e água com gás. É como beber uma nuvem.

Singapore Sling: O drink que nasceu no Raffles Hotel e conquistou o mundo. É complexo, frutado e tem mais ingredientes que um ritual de alquimia.

Os Elegantes Esquecidos

Clover Club: Gin com framboesa e clara de ovo. Era o drink da elite da Filadélfia, hoje é o queridinho dos bartenders que dominam o dry shake.

Floradora: Gin, framboesa, limão e ginger beer. Inspirado em coristas da Broadway, é pink, espumante e surpreendentemente sofisticado.

Angel Face: Gin, Calvados e apricot brandy. Parece inocente, bate como um soco de Mike Tyson. O nome é irônico.

A Nova Guarda: Gins Contemporâneos

Gin Gin Mule: A evolução do Moscow Mule. Gin, limão, xarope simples e hortelã socada, finalizado com ginger beer. É o drink que o Mule tradicional queria ser quando crescesse.

Bee’s Knees: Gin, mel e limão. Criado durante a Lei Seca para mascarar o gosto duvidoso do gin batizado. Hoje é celebrado justamente pela simplicidade.

Bramble: Gin com amora, criado nos anos 80 mas com alma de clássico. É servido com gelo picado e bebido com canudo, porque às vezes a sofisticação vem disfarçada de simplicidade.

As Técnicas Sagradas do Gin

O gin é versátil, mas tem suas manias:

Para drinks cristalinos (Martini, Negroni): sempre mexido, nunca batido. O gin não gosta de espuma quando está tentando ser elegante.

Para drinks com suco ou clara: o shaker é obrigatório. E no caso de ovos, prepare-se para o dry shake.

Para a Gin Tônica perfeita: proporção é tudo. 1:2 ou 1:3 (gin para tônica), gelo em abundância e guarnição que faça sentido com os botânicos do seu gin.

A Arte de Escolher Seu Gin

Para Martinis: London Dry clássico. Tanqueray, Beefeater, ou Bombay se você quer zimbro na cara.

Para Gin Tônica: Hendrick’s (com pepino), Monkey 47 (complexidade alemã), ou qualquer gin premium que combine com sua tônica artesanal de R$ 15.

Para coquetéis frutados: Plymouth ou gins contemporâneos mais suaves que não briguem com os outros sabores.

Para impressionar: gin japonês (Roku, Ki No Bi) ou algo com garrafa bonita e história interessante.

Domine a Arte do Gin

Quer transformar seus drinks com gin em obras-primas? Confira estes guias essenciais:

Técnicas fundamentais:

Drinks clássicos imperdíveis:

Mais aventuras etílicas:

O Legado do Zimbro

Taverna antiga cheia de fumaça e luz amarelada, com homens de época bebendo e conversando em mesas de madeira.

O gin passou de remédio duvidoso a símbolo de sofisticação. É a prova líquida de que segundas chances existem e que até as origens mais humildes podem levar à grandeza — desde que você adicione os botânicos certos.

Seja você um tradicionalista do Martini seco ou um aventureiro do Bramble com amoras frescas, o gin tem algo a oferecer. É democrático em sua aristocracia, complexo em sua simplicidade.

E lembre-se: quando alguém disser que gin tem gosto de perfume, responda que pelo menos é um perfume caro. Com notas de zimbro. E que dá barato.

Referências para os Nerds do Gin

  1. Difford’s Guide – Gin: history, production & classic gin cocktails
  2. The Gin Foundry – The History of Gin
  3. Liquor.com – The Essential Gin Cocktails You Have to Try